quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Mito: Tem que se ler livros para aumentar o vocabulário



 É muito comum ser dito aos alunos e jovens o quão é importante se ler um bom livro, preferencialmente um clássico, para que assim se aprenda a falar "corretamente". A literatura é uma arte que não foi feita por e para esses fins, mas sim foram os livros didáticos de línguas.



De fato, o contato com livros auxilia o leitor no seu desenvolvimento cada vez mais complexo sobre a hierarquia de classes gramaticais de palavras. Ajuda-lhe a flexibilizar cada vez mais as ordens dos sintagmas para conseguir expressar o que se deseja. Isso graças à adaptação do cérebro a novos modelos linguísticos a ser interpretado, e ao passo que isso ocorre, além do cérebro conseguir absorver essas informações, ele se torna competente a realizar as mesmas. Entretanto, o livro é um texto assim como a fala e essas adaptações o cérebro de um bebê faz através das conversas orais e não escritas, ou seja, a escrita não deve ser tratada como superior à oralidade quando o assunto é melhorar a competência linguística do cérebro.

Para isso, chamamos gêneros textuais cada dessas situações linguísticas a serem interpretadas ou produzidas. Quanto maior o seu contato com esses gêneros, maior será o seu sucesso de competência de produção e compreensão dentro delas. Assim, mesmo que alguém leia muitos livros recheados de longas páginas sobre histórias de fantasia, não fará com que o leitor por isso seja competente a administrar um diálogo em contextos de medicina, religiosos, históricos, comunidades indígenas, negócios, informática etc.

Como o contato da língua é sempre importante para que ela seja aperfeiçoada pelo seus falantes, não apenas a leitura, mas também a audição de textos orais tornam o leitor mais ágil para produzir textos e compreendê-los com maior precisão. Há um enorme preconceito EM relação às palavras que são chamadas de informais e/ou gírias, são até mesmo tratadas como ofensivas dentro de escolas. É importante observar que em nenhum idioma palavras são imutáveis, elas sofrem alterações de significado e uso de acordo com a comunidade e tempo que são utilizadas. Assim como a palavra "Puto" no português brasileiro é pejorativo, no português europeu é o contrário significando "moço/jovem". Não somente tão distante acontece esses diferentes valores de mesmas palavras. Dentro do Brasil há muitas palavras assim, tal como "tabaco", que pode ser ofensiva na região nordeste do país. Portanto, convém que se leve em conta as palavras e diferentes empregos de palavras que estão ao seu redor, não importa quem são os falantes, não importa quais são suas classes sociais e se o que dizem está correto conforme a norma culta da língua ou não. Desta maneira, você estará aceitando outros textos e tornando-se cada vez mais competente linguisticamente.

No topo deste post, há um dicionário de "palavras de rua", para que perceba que o mundo de sua língua é muito maior do que se possa achar somente na escrita, como livros.

Para quem não tem tanto contato social ou o tem com pouca variedade de classes sociais, se quiser conhecer mais sobre a sua língua (também vale para estrangeiras)  e efetivamente "aumentar seu vocabulário", seria ideal que variasse os gêneros de livros e seus contextos.

Fica uma frase:

"Um bom falante é aquele que é poliglota em seu próprio idioma."

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